MPPE promove audiências em busca de soluções para conflitos agrários nos municípios - CAOs
MPPE promove audiências em busca de soluções para conflitos agrários nos municípios
16/11/2023 - O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 31ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital (Promoção e Defesa da Função Social da Propriedade Rural), realizou duas audiências a fim de debater sobre os conflitos agrários nos município de Amaraji e São Joaquim do Monte. Nas reuniões, que ocorreram nos dias 13 e 14 de novembro, respectivamente, foram celebrados acordos que irão beneficiar mais de 300 famílias.
"Nos últimos tempos, tem havido uma mudança de paradigma no trato dos conflitos fundiários. O uso da força pelo Estado cede diante dos mecanismos consensuais. O próprio Poder Judiciário tem reconhecido que a solução heterocompositiva é a última ratio, apostando nas oportunidades emancipatórias proporcionadas pela mediação", destacou o Promotor de Justiça Leonardo Caribé, que representou o MPPE nos dois encontros, junto com o coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) de Defesa da Cidadania, Fabiano Pessoa.
A primeira audiência, realizada nesta segunda-feira (13), focou nos conflitos agrários situados em Amaraji, e contou com a participação de representantes da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PE), da Usina JB e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Estiveram presentes, também, a Ouvidora Agrária Nacional, Cláudia Dadico; os Desembargadores Paulo Augusto e Luciano Campos; e o Juiz André Rosa, da Comissão de Soluções Fundiárias.
Na ocasião, as partes concordaram com a manutenção da decisão judicial que suspendeu as decisões liminares de reintegração de posse proferidas pelo Juízo de Direito, pelo prazo de seis meses, para que, nesse período, o Incra conclua os procedimentos administrativos necessários para a desapropriação amigável das propriedades. Caso o Incra não conclua os procedimentos no prazo estabelecido, as partes concordam que seja restabelecida a medida liminar.
A Usina JB concordou com a desapropriação extrajudicial dos imóveis rurais, Engenho Devaneios, Rede Grande e Timorante, autorizando o Incra a adentrar na propriedade dos procedimentos de vistoria e de avaliação dos imóveis. O preço da indenização será pago com a terra nua em título da dívida agrária resgatáveis no prazo legal, ao passo que as benfeitorias e plantações serão indenizadas em espécie.
Já nesta terça-feira (14), em audiência com representante do proprietário e dos ocupantes da Fazenda Camaragibe, liderados pelo MST; e do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Pernambuco (Iterpe), foi celebrado um acordo, pelo qual as partes concordaram em dar início ao procedimento administrativo para alienação da Fazenda pelo crédito fundiário, mediante a intervenção do Iterpe.
O Instituto se comprometeu a iniciar o procedimento no prazo de dez dias, devendo concluí-lo no prazo de um ano, e encaminhar relatórios bimestrais à Promotoria Agrária.




