CENTRO DE APOIO OPERACIONAL

MPPE promove seminário sobre os desafios para o enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes no âmbito do Sistema de Justiça

17/06/2024 - A atuação institucional no enfrentamento às diversas formas de violências contra crianças e adolescentes foi pauta de um seminário promovido, na última segunda-feira (10), pelos Centros de Apoio Operacional Criminal (CAO CRIM) e da Infância e Juventude (CAO IJ). O evento, que ocorreu no Auditório da Escola Superior do Ministério Público de Pernambuco (ESMP/MPPE), teve como objetivo articular as diferentes áreas da Instituição para propor, juntamente com outros atores do Sistema de Justiça, estratégias de atuação.

“A pauta do enfrentamento à violência contra a criança e o adolescente nunca sai do nosso calendário. É o nosso dia a dia nas diferentes áreas em que o MP atua. A ideia desse evento é justamente a de integrar essas diferentes áreas, tanto na parte protetiva quanto na parte de responsabilização da parte agressora. A gente está falando de uma gama de violências que a literatura mostra que são praticadas contra crianças e adolescentes, infelizmente, todos os dias no nosso país. Diante disso, a ideia é unir Promotores e Promotoras de diferentes áreas, para discutirmos também essa intersetorialidade, ou seja, esse atendimento de forma integrada”, destacou a Coordenadora do CAO IJ, Aline Arroxelas.

“A questão da violência contra a criança e o adolescente ganhou especial atenção com a Constituição Federal em seu artigo 227 e depois com o ECA. Mesmo com esse avanço, as instituições precisam evoluir no sentido de melhor proteger a criança e o adolescente, objetivando um número menor de crimes e de revitimizações que vem ocorrendo ainda hoje em que pesa esses avanços. E nada mais importante do que a instituição, internamente, tratar do assunto, trazer o conhecimento externo e difundir entre os colegas esse conhecimento”, concluiu o coordenador do CAO CRIM, Antônio Arroxelas.

O evento, que teve como público-alvo membros, servidores e assessores do MPPE, juízes, defensores públicos, advogados, delegados de polícia e integrantes de equipes técnicas, foi dividido em três módulos, cada um com a formação de uma mesa abordando temas convergentes dentro da pauta.

Pela manhã, a Promotora de Justiça Mirella Monteiro, coordenadora dos CAO Infância e Educação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), palestrou sobre a importância dos protocolos intersetoriais de apoio a crianças e adolescentes vítimas e ou testemunhas de violências, bem como sobre a escuta especializada, o depoimento especial, e a tarefa de evitar as revitimizações.

“De fato, o enfrentamento da violência contra a criança e o adolescente é uma questão muito importante. E a proposta de hoje é trabalhar com todos a importância de estarmos envolvidos, tendo em vista que esse enfrentamento é algo intersetorial, que não envolve apenas uma área específica, mas as áreas criminal, infância e juventude, família e a questão da violência doméstica. Então cabe a todos nós do Ministério Público nos engajarmos nessa pauta. Aliado a isso, existem diversas legislações que reforçam essa importância da atuação intersetorial no enfrentamento à violência contra a criança e o adolescente”, destacou a palestrante.

Em seguida, houve a formação da 1ª mesa, composta por Mirella Monteiro, Aline Arroxelas e pela Promotora de Justiça Sophia Wolfovitch Spinola, como mediadora. Nesse momento, o assunto tratado foi a respeito dos avanços recentes na legislação brasileira e os desafios para aperfeiçoar as estratégias de proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência dentro do Sistema de Justiça. 

Já no período da tarde, as discussões prosseguiram com a formação da 2ª mesa: dessa vez, tendo o Promotor de Justiça Muni Azevedo Catão como expositor, o Juiz Criminal da Comarca de Paulista, Ricardo de Sá Leitão Alencar Júnior, como debatedor e o coordenador do CAO CRIM, Antônio Arroxelas como mediador. Durante sua exposição, Muni Catão abordou a questão da necessidade no avanço da responsabilização dos autores de violência infantil, sobretudo em relação à obrigação de saída do domicílio, medida cautelar de afastamento, coleta de provas e o depoimento especial.

Por fim, os presentes prestigiaram a exposição das analistas ministeriais em Serviço Social Maria Luiza Duarte Araújo e Tanany Frederico Reis em uma palestra sobre a prevenção e estratégias técnicas para evitar sobrecarga das vítimas de violência. A palestra contou com a mediação do analista ministerial em Psicologia Paulo Teixeira.


 

 

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11/07/2024

MPPE promove formação dos novos estagiários de Direito para apresentar as áreas de atuação institucional
"Encontro trará a estagiários informações quanto aos seus deveres, atribuições e vedações", disse a Promotora de Justiça Carolina de Moura, atual coordenadora da Divisão de Estágio do MPPE 

11/07/2024 - A Escola Superior do Ministério Público de Pernambuco (ESMP-PE) recepcionou, na última segunda-feira (8), os novos estagiários de Direito que atuam nas Promotorias de Justiça da Capital e algumas cidades da região metropolitana. O evento foi realizado durante os turnos da manhã e tarde, no auditório da ESMP, com o intuito de promover a integração dos estudantes e fomentar a obtenção de conhecimento em relação às diversas áreas em que a Instituição atua.

“A ideia do encontro é a de trazermos para os novos estagiários informações quanto aos seus deveres, atribuições e vedações. Além de fomentar esses esclarecimentos, dois experientes Promotores de Justiça vão falar sobre suas atuações na áreas Cível, Infância e Juventude e Criminal, para que os estagiários possam ter orientações iniciais acerca das atividades  que eles irão desenvolver nas Promotorias”, destacou a Promotora de Justiça Carolina de Moura, atual coordenadora da Divisão de Estágio do MPPE.

Inicialmente, a Promotora de Justiça Carolina de Moura abriu as atividades trazendo informações acerca dos direitos e deveres dos estagiários e dicas de conduta profissional sob a égide da Resolução nº 02/2022-ESMP/PE, que regulamenta as atividades de estágio no MPPE. Nesse momento, ela destacou a relevância do trabalho participativo a ser desempenhado pelos estudantes, bem como salientou a importância do espaço de conhecimento e respeito que o estágio deve proporcionar.

Em seguida, o Promotor de Justiça João Paulo Pedrosa, titular da 2ª Promotoria de Justiça Cível de Paulista, falou sobre atuação do MPPE na curatela dos direitos da criança e do adolescente, apresentando aspectos práticos a respeito da atuação, especialmente nos casos de violação de direitos, na área protetiva, mediante a proposição de medidas de proteção; e na área infracional, por meio da atuação ministerial nos casos de atos infracionais praticados por adolescentes, além da instauração de procedimentos investigativos.

“É uma satisfação tremenda participar desse processo de formação dos estagiários porque esse é um momento importante para eles e para o Ministério Público, que irá contar com essa força de trabalho. Além disso, essa troca é relevante para nós Promotores de Justiça e para o MPPE, que ganha com as experiências e os conhecimentos que os estagiários trazem para a nossa Instituição”, afirmou João Paulo Pedrosa.

Já no período da tarde, por fim, foi a vez do Promotor de Justiça Luís Sávio Loureiro, titular da 18ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital e atual coordenador do Núcleo Extrajudicial Penal, vinculado à Subprocuradoria-Geral de Justiça em Assuntos Jurídicos, desenvolver uma exposição sobre os principais pontos referentes à atuação do MPPE em matéria criminal.

O momento de integração foi bem recebido pelos estudantes, que puderam sanar dúvidas a respeito das diversas áreas de atuação ministerial diretamente com os membros da Instituição.

“Achei todas informações muito interessantes, porque não tinha me informado, principalmente, sobre alguns detalhes que vão influenciar bastante futuramente, na vida profissional. Estou com uma expectativa muito grande em estagiar no Ministério Público, tanto para adquirir mais conhecimento quanto para me inteirar de como funciona a Instituição", avaliou Giovana Almeida, nova estagiária da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Jaboatão. 

Treinamento para estagiários de Direito


23/05/2024

Pernambuco tem lotação acima da nacional, avalia comissão do CNMP


O Procurador-Geral de Justiça, Marcos Carvalho, falou da preocupação do MPPE com o sistema prisional em Pernambuco.

23/05/2024 - Apesar da redução na lotação do Complexo Penitenciário do Curado, Pernambuco tem uma taxa de ocupação, nas prisões, acima da nacional, avaliou o presidente da Comissão do Sistema Prisional, Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Jaime de Cássio Miranda, durante reunião, no MPPE, que antecedeu a visita aos presídios do Curado na tarde de quarta-feira (22/05). “Na visita anterior já constatamos que a situação havia mudado, mas tememos o cobertor curto”, disse.

Jaime de Cássio Miranda defendeu a estruturação do sistema prisional e a adoção de medidas exitosas por gestões em diferentes estados. Citou o método APAC, em Minas Gerais, de ressocialização, e a parceria com indústrias, em Santa Catarina, que instalam unidades de produção, nas penitenciárias, com a mão de obra dos apenados. “Disseminar e induzir boas práticas e fomentar a integração do MP com órgãos públicos e a sociedade são missões da comissão do CNMP”, reforçou.

Entre os desafios para atuar pela melhoria dos três eixos da comissão, citou o controle dos dados. “Sem conhecimento dos números, dificilmente se produz uma política de qualidade”, enfatizou o presidente da comissão do Conselho Nacional do Ministério Público. Ele apresentou também uma avaliação, por estados, do cumprimento das Resoluções 277 e 279/2023 do CNMP que tratam, respectivamente, do sistema prisional e do controle externo da atividade policial.

O Procurador-Geral de Justiça, Marcos Carvalho, falou da preocupação do MPPE com o sistema prisional em Pernambuco, “em situação dramática no final de 2022, especialmente em relação ao Complexo do Curado, porém, não muito diferente de outros estados brasileiros”. Destacou a importância do trabalho conjunto com outras instituições, como o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e a Defensoria Pública, em entendimento com as forças de segurança do estado, que vêm acontecendo, para diminuir as condições desumanas nas unidades prisionais nos dois últimos anos.

DESAFIOS E PROPOSTAS - Durante a reunião, representantes da Corregedoria do MPPE, Promotorias Criminais e de Execução Penal, de Centros de Apoio Operacional e de Núcleos que atuam no Controle da Atividade Policial e em Defesa dos Direitos Humanos apresentaram medidas que estão sendo adotadas e propostas feitas ao Executivo para melhorar as condições de assistência à população carcerária. Falaram de desafios internos a serem vencidos e alertaram ainda para recorrentes problemas no sistema penitenciário, como o excesso de presos em diferentes unidades.

Presentes à reunião, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, o chefe da Polícia Civil, Renato Leite, o comandante da Polícia Militar de Pernambuco, Coronel Ivanildo Torres, e o secretário de Administração Prisional, Paulo Paes Araújo, colocaram-se à disposição para o trabalho conjunto com o MP e informaram sobre medidas que vêm sendo adotadas para qualificação das políticas nas três áreas (segurança, controle de atividade policial e no sistema prisional), que incluem os trabalhos em andamento para abertura de novas vagas em penitenciárias. 


03/07/2024

MPPE recomenda reserva de vagas para população negra e aprovação de projeto de lei que estabelece cotas raciais
Recomendação objetiva estabelecer regras para cotas raciais nos processos seletivos em Olinda​​​​​

03/07/2024 - O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou ao prefeito de Olinda, Lupércio do Nascimento, e ao presidente da Câmara Municipal, Saulo Holanda, que adotem medidas para implementar a política afirmativa de reserva de vagas para a população negra em concursos públicos municipais.

No caso do prefeito, que anunciou recentemente a preparação de um concurso com mais de 300 vagas para o Executivo municipal, a Promotora de Justiça Maria Célia da Fonsêca orientou reservar 20% das vagas para a população negra nesse certame e nos demais que vierem a ser realizados até a aprovação do Projeto de Lei Ordinária (PLO) nº 28/2021, que tem como objetivo estabelecer as regras para cotas raciais nos processos seletivos do município de Olinda.

Já ao presidente da Câmara, o Ministério Público cobrou a inclusão do PLO nº 28/2021 em pauta, preferencialmente em regime de urgência, para que seja deliberado e votado. O chefe do Legislativo deve informar à Promotoria de Justiça sobre o andamento do projeto de lei, cuja tramitação vem sendo acompanhada pela 7ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda desde 2023, quando foi instaurado procedimento administrativo.

“O Estatuto da Igualdade Racial prevê, em seu artigo 39, que é papel do poder público promover ações para assegurar a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive nas contratações do setor público”, fundamentou Maria Célia da Fonseca, no texto da recomendação.

Os agentes públicos têm um prazo de dez dias para comunicar ao MPPE se acatam ou não as medidas recomendadas.

A recomendação foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do MPPE desta terça-feira (2).