MPPE reúne entes públicos e sociedade para fomentar criação de políticas públicas para população LGBTQIA+ e coibir atos de transfobia - CAOs
MPPE reúne entes públicos e sociedade para fomentar criação de políticas públicas para população LGBTQIA+ e coibir atos de transfobia
12/06/2023 - O respeito à dignidade e à honra das pessoas independe da identidade de gênero, orientação sexual, etnia, origem ou afiliação religiosa. Discriminar seu semelhante e impor barreiras ao exercício de direitos, por sua vez, é um crime que deve ser investigado pelas autoridades e desencorajado por toda a sociedade.
Com base nessas premissas, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Petrolina e do Núcleo de Direito LGBT (NDLGBT), se reuniu, nessa quarta-feira (7), com representantes da população LGBT do município de Petrolina, da gestão municipal e do Estado de Pernambuco para estimular a implementação de políticas públicas em prol dos direitos da população LGBTQIA+ de Petrolina.
De acordo com a Promotora de Justiça Rosane Cavalcanti, a audiência havia sido marcada a partir da comunicação de um caso de transfobia registrado em festividade pública de São João, quando mulheres trans foram impedidas de usar os banheiros químicos destinados ao público feminino. Porém, diante das intervenções trazidas pela sociedade civil, o Ministério Público optou por avaliar de forma mais ampla quais são as políticas públicas vigentes na cidade de Petrolina.
"É um absurdo ainda termos que discutir, em 2023, qual banheiro as pessoas devem usar. O banheiro químico é individual, nem placa deveria ter. E pior ainda é o desgaste de mobilizar a segurança para organizar fila de banheiro por causa de transfobia, que é um crime e precisa ser encarado como tal", alertou Chopelly Santos, vice-presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).
"Precisamos trabalhar, por exemplo, para que Petrolina tenha um Conselho Municipal de Direitos LGBT capaz de propor ações públicas segmentadas. Também deve ser uma prioridade fazer formação dos agentes de segurança, sejam eles do quadro municipal ou de empresas contratadas", sugeriu a Promotora de Justiça Rosane Cavalcanti.
Já o Promotor de Justiça Maxwell Vignoli, que é coordenador do NDLGBT, destacou que não há dúvidas com relação ao que estabelece o ordenamento jurídico nacional. "O Estado brasileiro reconhece as pessoas trans na sua identidade de gênero. Então não cabe a nenhum agente público, no exercício do seu papel, violar a integridade e a dignidade das pessoas", explicou.
Outra vertente sugerida foi a construção de campanhas educativas, como apontou a gerente de Políticas LGBT do Estado, Ana Carla Lemos.
"O município pode veicular campanhas, partindo até do exemplo que o Estado já fez, sobre o direito do uso do banheiro conforme o gênero com o qual a pessoa se identifica", agregou.
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15/06/2026
MPPE reforça que internação forçada em ILPIs e clínicas de tratamento de pessoa idosa é crime. Denuncie
15/06/2026 - A internação forçada de pessoa idosa em instituições de Longa Permanência (ILPIs) e clínicas de tratamento é violência. Neste dia 15 de junho, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) destaca o Dia Mundial de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa, reforçando que o cuidado é um dever compartilhado.
Faça valer o direito à liberdade da pessoa idosa. Se você suspeita que uma pessoa idosa foi internada contra a vontade, procure o MPPE. A denúncia é um ato de proteção e pode ser feita de forma sigilosa através dos canais da Ouvidoria do MPPE:
- WhatsApp: (81) 99679 0221
- Site: www.mppe.mp.br
- Disque MPPE: 127 (das 8h às 14h, em dias úteis)
- WhatsApp − Libras: (81) 99316 2600 ou
- Ou procure a Promotoria de Justiça da sua cidade.
15/06/2026
MPPE promove webinário para troca de experiência sobre grupos reflexivos masculinos e os impactos
15/06/2026 - Para fortalecer as políticas públicas preventivas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, à responsabilização dos autores de violência e à prevenção da reincidência, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) promoveu o Webinário “Projeto Elos: Grupos Reflexivos Masculinos”. O encontro, realizado no dia 12 de junho, buscou criar um espaço coletivo para partilhamento de reflexões sobre o fenômeno da violência de gênero, as causas e as soluções a partir de experiências concretas de grupos reflexivos masculinos.
Os grupos reflexivos para homens autores de violência são uma medida protetiva de urgência prevista pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), cujo principal objetivo é promover a reeducação, a responsabilização e a quebra do ciclo de violência, prevenindo a reincidência. Em Pernambuco, os grupos são regulamentados pela Lei Estadual nº 18.173/2023, que determina o encaminhamento de homens autores de violência doméstica para programas reeducativos com foco na prevenção de reincidência e promoção de relações saudáveis.
A abertura do evento online contou com a presença do Procurador-Geral de Justiça, José Paulo Cavalcanti Xavier, e da diretora da Escola Superior do MPPE, Carolina Pontes, que ressaltaram a importância da temática em face à dimensão do desafio atual de garantir o direito das mulheres a viverem uma vida livre de violência.
A primeira palestra, sobre a masculinidades e o desafio do enfrentamento à violência, foi desenvolvida pelo representante da Secretaria Estadual de Assistência Social, Combate à Fome e Política sobre Drogas de Pernambuco, Allison Kleiton dos Anjos; e pelo assistente social da Vara de Enfrentamento à Violência Doméstica do Cabo de Santo Agostinho, Joaquim Pradines — que abordaram tanto as políticas como as práticas dos grupos reflexivos masculinos.
Em outro momento do webinário, foi a troca de experiência sobre os quatro anos, em Gravatá, do Projeto Elos: Grupos Reflexivos Masculinos. A promotora de Justiça Maria Cecília Soares Tertuliano partilhou a experiência dos oito grupos realizados, cada qual com 10 encontros, totalizando em 96 homens. “Foram oito turmas concluídas com nenhuma reincidência”, destacou. Na condução do projeto são cinco os papéis dos promotores de Justiça: organização, articulação, seleção dos casos, participação e monitoramento. O passo a passo para implementar em uma Promotoria de Justiça está descrito no kit do projeto, com minutas de peças para a atuação ministerial, disponível no hotsite do NAM/MPPE.
Em complemento, a secretária municipal de Gravatá, Ester Gomes de Melo, ressaltou a importância da interdisciplinaridade dos profissionais voluntários para compor o grupo e buscar um olhar integrado, bem como que o formato se aproxime mais de oficinas com participação ativa dos homens do que de palestras.
Por sua vez, Rosana Gomes compartilhou a experiência da Gerência de Execução de Alternativas Penais com grupos reflexivos masculinos, nos quais já recebem homens que são convidados a participar, e não apenas por imposição de decisão judicial. Alguns, inclusive, manifestam que gostariam de mais encontros. As atividades buscam a redução da reincidência, maior responsabilização dos participantes e mudança de comportamentos violentos. Por sua vez, o assistente social e coordenador dos grupos reflexivos, Eduardo Oliveira, reforçou que os grupos são o caminho certo, o impacto é real e os resultados são significativos. “Apenas a responsabilização externa não é suficiente para a não reincidência. Para a integralidade do processo, é preciso que o agressor se perceba responsável pela agressão”, observou.
No encerramento do Webinário, a coordenadora do NAM/MPPE, promotora de Justiça Maísa Melo, apresentou o Projeto Elos, explicou como os promotores e as promotoras de Justiça podem aderir e ter acesso ao Kit para atuação ministerial. Mais informações através do e-mail nucleodamulher@mppe.mp.br
O evento foi uma parceria do Núcleo de Apoio à Mulher (NAM) com a Escola Superior do MPPE.
15/06/2026
Em audiência pública, MPPE e sociedade debatem propostas para reforçar a inclusão de estudantes com deficiência em escolas particulares
15/06/2026 - O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) promoveu na quinta-feira (11) uma audiência pública para discutir a educação especial, em uma perspectiva inclusiva, nas escolas particulares do Recife. O encontro ocorreu no Centro Cultural Rossini Alves Couto, reunindo representantes do poder público, instituições de ensino, entidades da sociedade civil, profissionais da educação e familiares.
Conduzida pelo Promotor de Justiça Salomão Ismail Filho, titular da 22ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital, a audiência teve como objetivo construir soluções dialogadas para os desafios relacionados à educação especial no âmbito das escolas particulares do Recife. A iniciativa integra um conjunto de ações desenvolvidas pelo MPPE desde 2023 para acompanhar e aprimorar as políticas de inclusão escolar.
Durante a abertura dos trabalhos, Salomão Ismail Filho destacou a importância da participação social na construção de políticas públicas mais efetivas. Um dos principais desafios continua sendo a consolidação de uma cultura de inclusão nas instituições de ensino. “O grande desafio é conseguir que essa cultura seja assimilada pela sociedade e pelas escolas particulares, compreendendo a importância de acolher o aluno com deficiência e incluí-lo efetivamente no processo político-pedagógico", afirmou.
O coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Educação (CAO Educação), Promotor de Justiça Maxwell Vignoli, destacou que a construção de uma educação verdadeiramente inclusiva exige a revisão de modelos tradicionais de ensino e a adaptação das práticas pedagógicas à diversidade dos estudantes
“A escola é esse espaço de diversidade. O grande desafio é identificar as diferenças e garantir atendimento especializado para que cada estudante possa progredir no seu processo de aprendizagem e alcançar êxito escolar", afirmou. Segundo ele, a implementação das políticas públicas voltadas à educação especial/inclusiva ainda é recente e demanda acompanhamento permanente, a fim de construir parâmetros que garantam direitos e promovam a inclusão.
Ao final do encontro, foram definidos encaminhamentos direcionados às escolas particulares da capital. Entre as medidas pactuadas estão a realização de parcerias com faculdades, clínicas e instituições especializadas para ampliar a presença de profissionais capacitados em educação especial; a individualização dos materiais adaptados conforme as necessidades de cada estudante; e o reforço da formação continuada de professores, educadores e demais integrantes da comunidade escolar na perspectiva da educação inclusiva.
Também ficou acordado que as instituições privadas devem ampliar a oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE), incluindo salas de recursos multifuncionais para estudantes com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento, dificuldades de aprendizagem e altas habilidades/superdotação. Além disso, o AEE deverá ocorrer, preferencialmente, no contraturno escolar, com comunicação permanente entre os professores especializados, docentes da sala regular e profissionais de apoio escolar.
Outro ponto reforçado na pactuação diz respeito ao direito à matrícula e à permanência dos estudantes. As escolas se comprometeram a não negar, dificultar ou restringir o acesso de alunos da educação especial, independentemente do diagnóstico apresentado.
Já ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de Pernambuco (Sinepe) restou o compromisso de promover no mínimo quatro encontros anuais voltados à educação inclusiva envolvendo professores, gestores escolares, representantes de famílias e entidades da sociedade civil. A previsão é que duas dessas atividades ocorram em cada semestre, com retorno ao MPPE até 11 de agosto de 2026.
As Secretarias de Educação do Estado e do Recife também pactuaram a realização de inspeções, por amostragem, nas escolas particulares sob sua competência fiscalizatória, para verificar a existência de salas de recursos multifuncionais e profissionais com formação específica em educação especial. Ambas deverão promover, até o fim de 2026, ao menos três capacitações voltadas às instituições privadas de ensino.
Por sua vez, o MPPE se comprometeu a acompanhar e fiscalizar o cumprimento das medidas acordadas durante a audiência pública, por meio de ações de monitoramento realizadas pela 22ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital.





